Por que ter um propósito?

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A neurociência demonstra como nossa mente opera no momento de decisões importantes e como – ao fazermos uma escolha – imediatamente pode surgir em nós a sensação de ‘perda’ em relação àquele potencial caminho que estamos deixando para trás. E é aí que muitos “travam” na hora de definir seu propósito. Surge o medo de “errar” na escolha, ou até mesmo o medo de que tal compromisso possa “limitar” suas perspectivas, ou comprimir sua liberdade frente ao leque de outras opções também atrativas.

Esta perspectiva é equivocada porque não há propósito certo ou errado, nem melhor ou pior. Mas, sem propósito, podemos ficar confusos e desprovidos do impulso de realizar aquilo que essencialmente mais desejamos para nossa vida pessoal ou empresarial. Podemos paralisar-nos, ou ficar à deriva no fluxo do tempo e dos acontecimentos. A não atenção ao propósito pessoal ainda aumenta o risco de ver nossa existência passar sem que estejamos construindo algo significativo para nós, e com isso, pode abrir espaço para a insatisfação crônica, para a depressão e até a diminuição da imunidade física.

Mas o que é propósito?

Por definição, propósito é a razão mais autêntica pela qual algo existe ou é criado. É aquela bússola maior, a “estrela guia” que orienta a maneira como você irá trabalhar seus valores, suas crenças, suas competências e habilidades naturais, seus recursos, sua realidade – para deixar sua contribuição no mundo. Esta combinação sempre será única, e faz do desenho da trajetória de cada um algo incomparável.

Na empresa, o propósito é o significado essencial da marca, capaz de despertar em você (em seu time e demais stakeholders) uma força mobilizadora para crescer e seguir em frente naquele caminho, dia após dia, mesmo diante de circunstâncias muito desfavoráveis.

Pirâmide Estratégica

“A energia flui para onde você coloca sua atenção e seu pensamento”…
Na prática, o propósito pode sim “estreitar” seu foco, mas ele o ajuda a ganhar profundidade e alcance. Isso significa que, com um bom propósito, você terá uma referência poderosa para atuar no mundo: você terá um filtro interno com o qual poderá administrar melhor seu tempo, otimizar seus recursos, e ampliar o potencial de seu negócio, com maior facilidade de engajar a equipe, e de fazer escolhas mais coerentes e inteligentes. Isso irá alargar seus horizontes na direção escolhida.

Na hierarquia de estratégias e ideias para guiar a gestão da empresa, o propósito é a maior delas – porque orienta e contém as demais. E é atemporal. Você pode até mudar a forma de materializá-lo, de expressá-lo ao longo da vida, mas, quando é genuíno, a sua essência se mantém sempre viva. Uma vez no caminho, a tendência é de expansão, e não de mudança.

Veja um exemplo do poder do propósito que impactou a vida de todos nós: em 1995, os jovens Larry Page e Sergey Brin, se encontraram na universidade de Stanford com um objetivo em mente: usar links da internet para desenvolver um mecanismo de pesquisa que determinasse a relevância de páginas individuais na web. O objetivo foi alcançado, e eles simplesmente poderiam ter se dado por satisfeitos. No entanto, descobriram a razão maior que os mobilizava e a traduziram na forma de missão: eles queriam “organizar as informações disponíveis no mundo é torná-las acessíveis e úteis para qualquer pessoa no planeta”. Foi assim que, apenas 3 anos depois daquele encontro em Stanford, foi lançado o Google – empresa que revolucionou a maneira como pesquisamos informação, e se tornou um patrimônio mundial de valor incalculável. Tanto, que é difícil hoje pensar a vida sem ele.

Você não será um novo Google. Nem encontrará buscando nele o seu legítimo propósito. Mas ao identificar dentro de você mesmo e seguir aquele autêntico desejo de criar e de fazer a diferença, isso lhe trará maior satisfação e contentamento – que são os principais combustíveis para dinamizar sua criatividade e alavancar a roda da prosperidade – para você e para muitos outros que estiverem contigo.

Nesse caminho o autoconhecimento é fundamental.
Você pode, por exemplo, se perguntar:

O que exatamente me move, o que me energiza além de ganhos financeiros?
O que me levou a empreender, onde está a maior satisfação em meu trabalho?
Que problemas ajudo a resolver, e como entrego valor às pessoas com quem interajo? Que contribuição estou deixando para o mundo com meu negócio, ou no trabalho que realizo?
Se minha empresa não existisse, que diferença faria na vida das pessoas e no contexto onde atuo?

Se for importante para você se sentir realizado como pessoa e como profissional, e ainda fazer com que a sua passagem pelo planeta seja autenticamente memorável, pense nisso. Daqui a um tempo, quando olhar para trás, verá que mais do que uma empresa você terá construído um legado. E lembre-se: a grandeza do que você realiza não está nem no tamanho e nem no volume de dinheiro que movimenta. A grandeza está na maneira como você vive, expressa e atribui valor para a sua vida e para a vida de outros seres humanos. Encontre-a em você e terá encontrado a melhor maneira de viver e de prosperar.

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