Informação Líquida

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“Aqui bate um coração” foi uma ação que reverberou por vários lugares do mundo no ano de 2012, com a simples ideia de espalhar amor. A intervenção urbana tomou força ao incitar jovens a mapear personalidades históricas de suas cidades, contextualizando estátuas e monumentos na valorização orgânica dimensional, organizando assim o intercâmbio das informações, neste percurso líquido da web, que deve ser mexido para que se materialize o fluxo de mídia nas ruas.

A ação multimídia tinha como forma simbólica reunir um grupo de pessoas para se movimentar por seus próprios espaços, no exercício de reapresentar as figuras da cidade, levando corações de isopor, como alegoria semiótica de índice manipulado. Envoltos nesta causa, saíram de suas casas e percorreram de outras formas estes mesmos espaços construídos em outros tempos.

Os líderes deste movimento, exatos 4 jovens do maior centro urbano do país, São Paulo, tiveram suas f e l i c i d a d e s no FAZER, de forma silencioso propagaram grifos latentes e, se tornaram a artéria propulsora deste movimento que incitou corações nos concretos. A maneira lógica, estratégica e interativa, foi assertiva na sua resposta social, tornando juvenis isolados em pró-ativos afetivos, até então dispersos pelo “ser pop up”, a “e-vocação” meramente inteligente incluí os seus meios e as capacidades existentes, na reivindicação e reprogramação dos hábitos da vida cotidiana.

A manifestação contextualiza o contra ponto da informação líquida, que se tornou vírus desumano, a medida que as mídias pagas servem de seringas contaminadas pelas veias dos interesses próprios. Os públicos se perdem irremediavelmente na ordem de organizar a não reflexão dos pensamentos, as novas instâncias somem nos termos burocráticos da política sócio econômica e cultural do nossos cenários.

Os valores sociais sinalizam a calamidade, o comunicar na era digital precisa de ajuda. A grande avalanche de conteúdo massivo simplesmente migrou de plataforma, os gadgets são fabricados na velocidade da luz, a obsolescência é programada, o consumo é exaltado como máquina do poder. Podemos MUDAR o vício, recalcular a sentença, entender os códigos e nos inserir nos órgãos, através de nossos próprios meios e conhecimento, precisamos disseminar afetos e visões que transformem os retroativos pensares dos hábitos atuais.

O comportamento da grande maioria dos jovens transmídias é preocupante, por isso me ocupo em transcrever essas noções de espacialidade, como relação de meus próprios desfechos cotidianos, baseados nas leis da física desta era digital. Digito e agito preposições reverberantes de palavras semiológicas. Atribuo novos significados as instruções, passo a limpo buscas e devo aos pensamentos o ser que remonta salas de bate papo em sua própria casa, como experiência laboratorial para seus reportes e recortes reacionários do outro. Faço do prazer a aceitação no contexto virtual, sirvo de projeção imagética do “selfie”, me recondiciono imageticamente na busca sensorial de ser vista pela ótica c e l u l a r.

Informo células, personifico corpos em dispositivos móveis e recrio figuras, lugares e contextos em dimensionalidade distribuídas em redes sociais, numa espécie de conexão ilusória, acabo por dissipar os meios. Travo através de telas, guerras contra a inconsciência do pensamento intuitivo, examino o evoluir, repenso as interações que brincam com os sentidos de forma invasiva, e estagnação do ser social.

O futuro pede trânsitos e alimentos sustentáveis. O tempo virou um estado, a urbanidade grita por pontos de mudança no existir urbano. O vídeo digital “ON ou OFF: De que lado você está?” percorre por pontos primárias deste conceito, que interroga a transformação dos tempos líquidos na comunicação.

Na tentativa de ser entendida, estendendo mensagens e propago meios por multimídia, escolho veículos e incito o próprio McLuhan, estudioso dos impacto das novas tecnologias e seus efeitos, atravesso meios de comunicação e sigo sociedades da era transformadora de Gutenberg.

De forma a contextualizar, questiono os fenômenos e crio papéis sociais, sobre a ótica da obra Understanding Media: the extensions of man (1964), reconhecida mundialmente pela sua curta e genial ideia metáforica: “o meio é a mensagem”, onde o próprio autor consegue sintetizar seus estudos sobre a era da “Galáxia de Gutenberg”, que reverbera pelo universo acadêmico, como forma de extensão da dimensão visual, na tentativa de reajustarmos a fase oral do conhecimento. Somos seres comportamentais. O rádio segue suas transmissões lendárias, sem saber quem ouve suas histórias e tradições, meio este obsoleto, que corre risco de extinção pelo destino natural da difusão, que acaba por ser uma das provas ainda vivas no estudo dessas transformações. McLuhan nos apresenta e o conceito da “Galáxia de Gutenberg” nos tempos da comunicação eletrônica, criando o termo Aldeia Global.

Parto da lógica evolutiva e amplio informações por meio da tecnologia nesta era digital, propício de forma altruísta o ponto de quebra neste procedimento padrão do pensar a comunicação, como solução potencial para essa nova revolucionária maneira de estabelecer redes capazes de desconstruir estados, se utilizadas como ferramenta do FAZER.

O longa-metragem, “JUNHO – O mês que abalou o Brasil”, produzido pela Folha, o qual documenta as manifestações impulsionadas exclusivamente pelas redes descentralizadas de comunicação, uma tentativa militante de contrariar o aumento das tarifas de transporte público em São Paulo, em junho de 2013. O movimento de dimensão nacional ganhou centenas de cidades, levando mais de um milhão de pessoas às ruas num protesto que deixa uma pergunta: “Amanhã vai ser maior?”.

A forma estrutural dos governos atuais, lutam pelo condicionamento ditatorial e torna a urbanidade caos da ótica religiosa, e as medidas jovens, falam por seus próprios meios, e derivam ações que buscam vias alternativas para a conscientização dos hábitos insociais, justificando assim seus votos nas propagações da agilidade digital, que buscam por tomar assim os seres líquidos, alcoólatras c e l u l a r e s, aquecidos pela falta de água em corpos a se embriagar de papéis sociais no setor artístico-cultural, como forma de ressacar o controle que escorre pelos ralos do poder político.

As c i d a d e s, vos diz todos os dias sobre os problemas de nos tornamos seres descartáveis com o sistema tempo. Discuto trabalhadores infelizes, que T-E-C-L-A-M por lugares desabituados do estar, desplugados do existir sintomatizam climas semiáridos, ignorando o aquecimento global ao ligar ar-condicionado, consumidos com impostos de juros traçados pela perca da humanidade. Nesta prestação de contas ao mundo, o projeto documental “Human” toma propulsam nas redes sociais e, nesta primavera que floresce a lógica deste estudo imagético da era digital e se concentra nas questões humanitárias, recria feições de amor, briga, sorriso e choro nos tempos transitórios desta cultura que nos torna espinhosa a expressão do ser. Os atos do artista americano dos anos 60, Andy Warhol, servirá de ponto de partida, desta série de reinterpretações da revolução do ser multimídia, termo criado por CHAVES, E. em 1991:

“a apresentação ou recuperação da informação se faz de maneira multisensorial, quer se dizer que mais de um sentido humano está envolvido no processo, fato que pode exigir a utilização de meios de comunicação que, até há pouco tempo, raramente eram empregadas de maneira coordenada”.

Ensaio respostas na moldura consagrada da arte contemporânea, e visito a ressignificação dos comportamentos da cultura de massa, das gerações passadas e entro em “a apresentação ou recuperação da informação se faz de maneira “alpha”, a procura de soluções para estados de trânsitos sensoriais travados pelas telas, percorro desde as obras de Warhol até os padrões evidentes da natureza midiática, no passo dos meus dedos, teclo conhecimento, nasce nesta geração, a vista a mais inteligente da história, e temo pelo desafio dos termos de orientar o uso da internet.

Laboratorialmente elaboro países mais conscientes, e dou passos opacos em papéis interativos, na própria inclusão do meu “ser humano”, ao pé da letra, como objeto pensante deste cenário sócio-politico-econômico-cultural atual que precisa ser repensado em nome da geração: gerar de ação.

Nossos filhos correm risco de vida nas redes, gatos dão sinal de fala humana em vídeos caseiros do Youtube, crianças demoram a engatinhar, estamos robóticos e neuróticos, sobre a hipótese de termos “chips” na pele futuramente. O futuro é a mente, precisamos pensar mais nas nossas próprias consciências sociais, nos atrevemos a ser artistas, criar questionamentos visuais, atravessar meios e mensagens, levar informações.

Vírus alucinados travam e-mails, doença do lixo eletrônico, os meios se multiplicam na tentativa de se comunicar, a velocidade aumenta, perde-se a noção de espaço-tempo e realidade em shoppings centers construídos como labirintos emocionais e consumistas, criados pelos capitalistas científicos no poder das grandes corporações, diagnósticas em observação cotidianas destes ratos de experimento exagerado. O relatório inutiliza a validade, o formato se torna obsoleto em dias, as informações se perdem em links, buracos negros são criados na internet, o senso-crítico se tornou marcas publicitárias, o senso não está a venda, brincam com a atenção e, nos colocam em escolhas interruptas do saber crescer, cápsula do tempo por todos os lados, relógios como locomotivas condicionais, as músicas de massa elevam de escadas rolantes, a globalização do ser ignorante dos novos estilos de vida.

Ato pensar: “Quem se importa?”, enterre socialmente os atuais modelos de negócios e incite em si os suporte de atos conscientes do sentido viver. Viva nas suas telas os cinemas, ouça histórias de estranhos reunidos em “webséries”, esqueça convites, sejam personagens principais de suas vidas, se aproxime das periferias da cidade, ouça seus vizinhos, pare de abusar do “storytelling”, fale com o planejamento estratégico e promova ações transformadoras da sua cultura, passe a ser pensante, comunique o seu universo e ajude a reorganizar espacialmente as ilhas humanas segregadas pela tecnologia abusiva.

Volte a sorrir e amar o prazer de vivermos juntos, leia conceitos de negócios colaborativos e sociais, desenhe seus próprios pensamentos, viva o diálogo: “O que é meu, é seu”, inclua informações nos seus meios, planeje suas próximas habilidades sustentáveis, seja humano, dê voz aos comunicadores pensantes, salve a cultura do papel produto de consumo e entretenimento massivo, tire o terrorismo do lucro do poder.

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