Crise é mesmo oportunidade?

Chega a ser interessante a enorme pressão que colocamos em cima de nós mesmos o tempo todo. Se a coisa vai bem, poderíamos estar melhor. Se a coisa vai mal, temos a “obrigação” de nos reinventarmos, não é isso que diz o Facebook? “Crise é oportunidade, essa é sua grande chance!!!”

Somos bombardeados por uma série de afirmações otimistas e que, praticamente, nos obrigam a correr até o sucesso. Você deve isso, deve aquilo – mas poucas vezes alguém nos indica um caminho. Diz-se quase o tempo todo “corra até seus objetivos”, mas são raras as situações em que nos informam “como” fazer isso.

Somos bombardeados por uma série de afirmações otimistas e que, praticamente, nos obrigam a correr até o sucesso.

Gosto muito do conceito de Protagonismo. Sem me preocupar com uma discussão formal a respeito, entendo como Protagonista aquele ou aquela que, consciente de suas responsabilidades, toma a vida para si. E a toma pagando o devido preço, com os inerentes prazeres e dissabores.

Não cairei no erro de ser mais um dos que não indicam um caminho. Proponho aqui uma receita simples, mas bastante eficiente para iniciar uma jornada como Protagonista de sua própria vida.

O primeiro passo é identificar a situação vivida por você e que precisa ser superada. Pode ser uma dificuldade financeira, vestibular, promoção em um cargo, desemprego, regime, novo negócio… Enfim, qualquer coisa que lhe exija desenvolver algo que, até este momento, lhe falta.

Feito isto, o segundo passo é identificar qual é, ou quais são, as características que lhe faltam para o alcance do resultado esperado. Dificuldade financeira pode envolver “organização”, o vestibular pode exigir “disciplina”, e um novo negócio “controles e procedimentos”. Defina qual é a característica necessária e o resultado que pode obter a partir dela.

Definido o resultado esperado, temos como terceiro passo identificar qual é a grande motivação por trás deste objetivo. Qual a real importância deste resultado para você? Seja, neste momento, honesto com você mesmo. Uma dica aos que prontamente se referem ao dinheiro: pense no que ele pode, na verdade, lhe proporcionar. Segurança, tranquilidade, conforto para a família. Isto sim é motivador.

Em seguida, no quarto passo, identifique seu percentual de Responsabilidade no alcance do Resultado. Muitos dizem que se a meta é própria, a responsabilidade é 100%. Isso é falso em quase todos os casos. Por exemplo, num regime: mesmo que a pessoa esteja extremamente determinada, seus familiares têm profunda influência/responsabilidade no processo. Ao admitir e atribuir, por exemplo, 20% de responsabilidade à família, neste caso, a pessoa em questão pode planejar formas alternativas de “encarar” a situação de modo que o sucesso dependa mais dela. Uma ideia seria envolver todos em uma dieta mais saudável ou, então, determinar a quantidade de vezes que terão refeições carregadas de calorias durante a semana. Isso aumenta as chances de se manter na dieta.

Por fim, no quinto passo, levante todos os possíveis obstáculos que podem se apresentar. Liste os, um a um. A sacada, neste ponto, não é pensar em eliminá-los – afinal, eles sequer aconteceram. Pense o seguinte: como “minimizar a influência de”. Por exemplo: minha promoção depende da indicação de fulano de tal. Uma forma de minimizar a influência deste fulano é realizar excelentes trabalhos e compartilhar resultados no LinkedIn. Para quem quer abrir um novo negócio e percebe o mercado como influência negativa, deve concentrar-se em atividades que, de alguma forma, atuem proporcionando soluções. Ser Coach, por exemplo =)

Realizou todos os passos? Já tem clara a situação que lhe exige desenvolvimento, o Resultado Esperado, a Motivação, os percentuais alheios/ações para depender mais de si e a lista de possíveis obstáculos? Pergunto-lhe, então: o que pode ser feito entre hoje e a semana que vem em direção ao objetivo? Quais pequenas ações lhe aproximarão desta conquista?? Pense em uma, talvez duas, e faça acontecer.

Crise pode até ser oportunidade. Depende de você.

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