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Jornalismo e espírito empreendedor têm tudo a ver, sim!

O jornalismo está na boca do povo.

A gente sempre ouve falar que os jornais impressos estão em decadência, as mídias digitais estão em ascensão e os jornalistas e estudantes precisam absorver estas mudanças. É tudo verdade – e o empreendedorismo pode ajudar bastante.

Nossa fundadora e CEO, Alexandra Santos, participou, no mês passado, de um bate papo com os alunos de Jornalismo da Unopar (Universidade Norte do Paraná) sobre comunicação, empreendedorismo e os novos rumos da profissão, a convite da professora Liberaci Pascuetto. A Alê, que é advogada e empreendedora de carteirinha, convidou duas jornalistas e coworkers, Tatiana Salvatico e Christina Mattos, que sabem como o jornalismo casa bem com o espírito empreendedor e têm muito a ensinar a estudantes que estão entrando no mercado de trabalho. Apesar de idades e trajetórias diferentes, ambas passaram por cima da crise do modelo tradicional da área quando buscaram soluções fora da casinha à qual estavam acostumadas. 

A Tati é formada há dez anos e diz que, durante a faculdade, não se lembra de ter “discutido ou aprendido que poderia fazer jornalismo de forma empreendedora”. Ela é sócia-proprietária da Amida Agência de Conteúdo e conta ter sido ensinada a ser uma boa profissional para se destacar em veículos pertencentes a grandes grupos. Foi o que fez: acumulou experiências como repórter e se firmou no Jornal de Londrina. O problema foi que, em dezembro de 2015, o jornal foi fechado. “Neste cenário, sem saber muito bem como seguir, comecei a fazer mentoria com a Alê, que me mostrou que era possível unir o que eu sabia fazer com as necessidades do mercado.” Daí em diante, para a Tati, era uma questão de coragem. A Amida surgiu e foi se consolidando conforme as demandas e clientes surgiam. Completou um ano dia 11 de abril e é uma agência bem mais estável que muito jornal tradicional por aí.

A história da Chris é parecida. Depois de formada, há 22 anos, ela foi contratada pela RPC (Rede Paranaense de Comunicação), onde trabalhou como repórter e ocupou cargos de chefia e coordenação. “Foi uma experiência bacana e durante todo aquele tempo eu procurei ser uma empregada-empreendedora. (…) É preciso propor coisas novas, sair da casinha. Pedia para coordenar projetos e acho que é por isso que fiquei tanto tempo – era bom para mim e para a empresa, porque era uma coisa dinâmica, não acomodada.” Mas aí, também em 2015, o grupo ao qual a RPC pertence passou por uma grande reestruturação de diretorias e a Chris saiu da empresa.

Foi aí que o Juntus entrou em cena. A Chris conta que conheceu a gente quando fez reportagens sobre sobre coworking e startups e “sabia que era um lugar bacana, no qual rolavam muitas coisas e muitas empresas novas se desenvolviam”. Como queria continuar trabalhando com comunicação, mas não tinha interesse em voltar para uma redação no modelo convencional, ela participou de um pitch de ideias realizado no Juntus e conheceu os jornalistas Marcelo Frazão e Ranulfo Pedreiro, que trabalhavam no Jornal de Londrina e também procuravam “um novo caminho na profissão. Queriam fazer alguma coisa diferente”.

Depois de algumas conversas, Chris, Frazão e Pedreiro resolveram criar um novo veículo de comunicação, o Todos por Um (TP1), e desenharam o modelo de negócios durante o primeiro semestre de 2016. Chris explica que “este novo negócio tem uma estrutura mínima, mas que nos permite ser mais ágeis, tomar decisões e testar ideias rapidamente. Gosto muito dessa fase. Quando buscamos, no começo, formas de viabilizar financeiramente a empresa, encontramos várias. Estamos começando a testar um modelo que propõe que a comunidade financie o veículo através de uma assinatura que dará acesso não apenas ao conteúdo produzido, mas aos eventos que o TP1 cria, sempre com o propósito de conectar as pessoas umas às outras e à cidade”. Além disso, existem muitas linhas de financiamento para o tipo de trabalho do TP1, que é na área de participação cidadã e estímulo a negócios sustentáveis.

Hoje, tanto a Tati quanto a Chris consideram possível e vantajoso alinhar empreendedorismo e jornalismo. Para a Tati, “empreender é conquistar e criar seu próprio espaço no mercado de trabalho. E quando a gente faz alguma coisa que gosta e acredita de verdade, as dificuldades são superadas”. A Chris acrescenta que “o mais importante é ter um motivo para levantar da cama. Quando você vai abrir um negócio em qualquer área, tem que fazer sentido. A partir daí você encontra energia e coragem para buscar tudo o que você precisa para que o negócio funcione”.

 

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