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A excitação de juntar mais gente que gosta de gente

Tudo é – ou pode ser – plural: palavras, pensamentos, opiniões… e pessoas. Personalidades. Histórias. Esta realidade fica escancarada quando estamos em um lugar cheio de rostos desconhecidos – e, há pouco, aconteceu comigo.

O Juntus abriu três vagas de trabalho para “gente que gosta de gente” (amplas, a princípio, sem definir os pormenores das funções), divulgadas no Facebook, e inúmeras pessoas preencheram o formulário de interesse. Foram 188 inscritos e eu fiquei responsável por uma triagem inicial que selecionaria 40 candidatos para entrevistas conjuntas. Não foi fácil. As respostas eram diferentíssimas, bem como as aptidões e expectativas de cada um, e eu não havia estabelecido critérios para selecioná-los. Procurei aqueles que usaram todo o espaço disponível, deram respostas consistentes e demonstraram conhecer os propósitos e o funcionamento de um escritório compartilhado.

No fim, 56 pessoas foram convocadas para as entrevistas conjuntas, mas muitas não compareceram. O comprometimento exigido pelo Juntus já se mostrava ali: avisamos os convocados sobre as entrevistas um dia antes de elas acontecerem. Eu sabia, em termos, o que esperava encontrar, mas fui surpreendida pela multiplicidade de… tudo. Poucos homens e muitas mulheres, idades e formações variadas, histórias que percorriam o País, mães, filhos, filhas, estudantes, pós-graduados, gente com muita experiência, gente com praticamente nenhuma. Em comum, a ansiedade. Suas expressões diziam que queriam saber mais sobre as vagas, o espaço, sobre mim e sobre todo o time.

O processo seletivo em si, aqui, pouco importa. A pluralidade que caracteriza esse conjunto de pessoas é impressionante e assustadora ao mesmo tempo. Enquanto eu falava e todos olhavam para mim, curiosos, me senti intimidada, especialmente pela minha incapacidade de interpretar todos aqueles olhares ao mesmo tempo. Ainda que desconcertada diante da responsabilidade de participar da escolha daqueles que preencherão as vagas, senti que a experiência compensou a ansiedade.

Estar em um escritório compartilhado ou em qualquer espaço colaborativo é participar ativamente de uma realidade que promove o descontrole. Não dá para saber quem entra e quem sai, o que as pessoas vieram fazer, para onde elas vão e menos ainda o que se passa na cabeça de cada um. Você está ali e não pode controlar nada: esta é a única certeza. Isso pode ser enlouquecedor, mas, ao mesmo tempo, é gratificante. No Juntus, lidamos com as mais diversas e complementares personalidades, e a excitação está justamente na impossibilidade de dominá-las. Estamos aqui para ajudar as pessoas e isso não discrimina ninguém.

O processo seletivo chegou ao fim e o time está formado. Outras três mulheres aceitaram o desafio de participar de uma série de processos incontroláveis e extremamente recompensadores. A pluralidade também não discrimina ninguém: ela atinge o Juntus de todos os lados. Fazer parte deste ecossistema é sentir na pele o quanto as relações podem ser orgânicas e fluidas – e, num contexto de mecanização inclusive do trato humano, isso não tem preço.

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